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domingo, 26 de fevereiro de 2023

Wall of Voodoo - Call of the West


 WoV é uma banda dificil de se ouvir, por mais que seu hit "Mexican Radio" seja estranhamente grudenta (muito da sintese do som do grupo esta nela). Ainda sim, Call of the West é um disco que requer algumas audições para ser compreendido, eu mesmo levei uns bons anos para entender o som da banda e principalmente desse album. o WoV começou como uma empresa de trilha para filmes b, nas horas vagas seus integrantes se juntavam para brincar de "banda". Desse background entedemos muito som lo-fi e clima das canções.
Em geral são narrativas acompanhadas por uma guitarra muito influenciada pelas trilhas Ennio Morricone, samplers, sintetizadores, percussão e bateria eletronica. Todos na banda compoem ás músicas, mas ás letras são só Stan Ridgway (vocalista/tecladista/guitarra), ela é especialista em fazer narrativas do cotidiano, como especie de roteiro de filme independente nas letras. Os temas vão de procrastinação, vida de um empregado de uma fabrica, um casal que perder um fim de semana em Las Vegas, paranoia entre vizinhos, espiões, rádio mexicanas nas fronteiras do EUA, viagem ao oeste, etc...

Esse é um disco que na primeira audição parece que ás faixas são simples demais, mas com o tempo cresce no ouvinte. 

"Tomorrow" tem um quê ala Devo, mas com temas orientais nos sintetizadores; "Lost Weekend" caberia de boa numa trilha Lo-fi de qualquer filme do David Lynch, o clima de estrada e perdição é palpavél; "Factory" tem um som industrial e pesado, isso com inserções de elementos de faroeste e uma guitarra tocando "errado" aqui e acolá; "look At Their Way" tem uma guitarra que emula muito bem os temas de series dos anos 50 como além da imaginação, os vocais dão o clima de paranoia perfeito; "Hands Of love" tem bons momentos, mas é o elo fraco do album; "Mexican Radio" tem uns dos refrões mais estranhos e grudentos que já ouvi, otimas percussões, syths e uma guitarra minimalista; "Spyworld" tem um clima pulsante que permeia toda faixa, a guitarra toca tempos e acordes estranhos, a percussão esta sempre presente; "They Don't Want Me" é a faixa onde a guitarra é mais evidente, principalmente pelo timbre sujo e vocais minimalista; "On Interstate 15" é uma instrumental que poderia de boa estar em qualquer trilha de um faroeste italiano; "Call Of The West" fecha épicamente o disco, com seus sintetizadores, guitarra faroeste e um dos melhores vocais do album. 
 

Infelizmente a banda não durou muito, quer dizer... Não com a formação "clássica", já que Stan saiu do grupo por causa da fama e excessos. A banda em si continou com outro vocalista, que no geral tem boas canções. Mas perdeu o seu principal letrista e a cabeça por trás do som da banda, já que assim que saiu os elementos desse disco foram juntos. Mesmo assim é um marco na estoria da música, pena que poucos conhecem além do seu hit e esta relegada a apenas mais uma banda dos anos 80.


sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Dennis Wilson - Pacific Ocean Blue


Dennis Wilson nunca foi exatamente meu "Beach Boy" favorito, muito por que não sou exatamente fã da imagem de "porra louca" que resultou em um final indigno a um bom compositor, que infelizmente sempre a esteva a sombra de seus irmãos. Foi primeiro Beach Boy a se aventurar em carreira solo, diferente seus camaradas conseguiu ter um som bem próprio sem precisar apelar para o surf music de sua banda.

Pacific Ocean Blue é um disco dolorido onde Dennis se encontrava em divorcio (pela segunda vez com a mesma mulher), o fato de estar em frangalhos por causa do desgaste da sua relação (muito por sua culpa) com sua banda e sem contar sua insegurança na empreitada solo, onde deveria se firmar como compositor. Mas dessa tormenta saiu um álbum maravilhoso, que infelizmente perdeu espaço na discografia de sua banda, além de ser sepultado  (de certa forma) por ele mesmo. Mas vamos ás músicas...

River Song: O dedilhado delicado do piano, vocais em coro e uma letra simples de adoração ao "Rio", quase beirando a ingenuidade, comparando o infinito da natureza e o quanto ele deseja abandonar a cidade para uma vida simples. Os vocais rouco de Dennis e os backing vocais  são perfeitos em dar aquele tom ensolarado;
What's Wrong: É mais próxima do som "Beach Boy", onde Dennis assumi que se influenciou pelo estilo de tocar de Brian. Tem bons vocais, mas soa quase cômica, destoando um pouco do clima das outras faixas;
Moonshine: Essa tem um tom de solidão, principalmente nos versos chorosos e na emoção da voz, de novo temos uma estrutura estranha, o que destaca um arranjo bem incomum. O "refrão" é bem pesado: "Foi você que disse que não haveria amanhã/ Disse que agora me ama de outra forma/ de outra forma";
Friday Night: Começa num crescendo empoeirado, desbancado num riff bluesy do teclado adornado pelos vocais rasgados de Dennis;
Dreamer: Tem uma vibe ala ás canções solo do John Lennon nos anos 70 com aquela pegada pseudo funk. O efeitos na voz dão um tom etéreo a faixa, sem contar os belos arranjos de metais;
Thoughs of You: A melancolia do piano, aliada a simplicidade da melodia onde o autor derrama a falta da sua amada, culminante num rompante do arranjo de cordas. Mostrando bem a dualidade do amor/ódio;
Time: Outra canção dolorida ancorando na voz gasta de Dennis, piano e arranjo de cordas com direito a um solo de metais;
You and I: A suavidade da faixa, embalada pelos acordes de piano e simplicidade de um solo de violão, tem um clima meio de fim de tarde numa praia;
Pacific Ocean Blue: Guitarras slide e blues se encontram com órgão funk, os vocais desgastados de Dennis são adornado por coros e uma bateria que acrescenta sempre uma camada  de viradas a cada volta;
Farewell My Friend: Tem um tom de canção de ninar, mesmo com um tema pesado como o falecimento. mas tentando ter um ponto de vista mais positivo como uma passagem, foi tocado no funeral do próprio Dennis em 84;
Rainbows: Umas das poucas canções guiadas por um violão e (creio eu) um mandolin, o vocal é mais melódico e menos rasgado e tem um clima bem positivo;
End of the Show: Com o clima de despedida e com a voz gasta finalizamos o álbum, de novo em um teclado simples que cai em adornos de coro, guitarras e cordas. Finalizando com o publico esvanecendo.

Dennis é um compositor diferente de seus irmãos, muito simples nas escolhas de timbre e tocabilidade, carregando muita das canções na voz que com o abuso de álcool e tabaco (outras cositas mais) acaba dando esse tom cansado, ou um rugido rouco que casa bem com ás músicas. Os arranjos também são impares, muito não se limitam ao B á bá do rock/pop, muitas vezes quebrando estruturas e expectativas do ouvinte. Infelizmente por causa do estilo de vida a carreira solo nunca passou desse disco (mesmo que tenha trabalhado por um tempo num possível sucessor chamado Bamboo, mas nunca finalizado), a tour programada foi cancelada por que a gravadora não levava fê no projeto. E para finalizar os anos de abuso acabaram destruindo a voz de Dennis, que como todo "bom" Rockstar não entendeu e acabou se destruindo a si mesmo 5 anos depois.
O disco ficou relegado a sua edição original só sendo lançado novamente 1991 em cds limitados, extremamente raros de achar hoje em dia. Foi relançado em 2008 em digipack duplo, onde incluía o não-finalizado Bamboo com a direita a faixa bonus de "Holy Man" cantada por Taylor Hankins do Foo Fighters. A parte disso é um bom disco para quem curte álbum pessoais onde o artista se desmancha pelo os autofalantes.

sábado, 9 de julho de 2022

Jeff Turner: Cowboys, Truckers & Lovers

 


Pescando "raridades" online, me deparo com essa capa: Um cowboy encarando vazio e o titulo Jeff Turner: Cowboys, Truckers & Lovers? Caramba, mais datado impossível, tenho que ouvir essa desgraça! Por incrível que pareça tem o disco inteiro no Youtube (Um canal de vinis antigos disponibiliza). Já via Streaming a carreira do Jeff Turner só começa a partir de 1990... 
Um detalhe é que esse cara não tem quase nenhuma informação na web, nem no Wikipédia tem nada concreto, com exceção da versão alemã, onde tem alguma coisa tirada do site dele: Ele era um quiroprático que foi para os EUA trabalhar, enquanto esperava sua licença resolveu faturar uma grana tocando Country. E para minha surpresa, ele não é americano, sim australiano/suíço! Por algum motivo, assim ele permaneceu e conseguiu manter a sua carreira. Creio eu, já que, como disse o cara é um mistério, mesmo que tenho alguns vídeos dele ao vivo na rede e até a sua morte em 2020, ele ainda se apresentava... 
Milagrosamente é possível achar esse álbum em cd, com sorte (que eu não tive) num preço bem bacana!
Mas como a carreira do artista, nada de informações no encarte: Qual era a banda? O nome da cantora que divide os vocais em algumas canções? Nada, apenas créditos de composição, sendo seis do Jeff Turner (algumas em parceria com um tal de Corner), outras covers e outras tradicionais. A única certeza é que o Jeff Turner Canta e toca violão.

Bem, a parte disso é um bom disco de Coutry regado a muito rock, com bons riffs de guitarras em algumas canções, baladas folk e vocais poderosos que guiam os temas das trivialidades da vida de um "Cowboy do asfalto". Ás letras são muito boas, tem momentos bem engraçados e bregas. Também alguns temas pesados.

- You can have her: Essa é mais próxima de um country raiz, se você ouvir apenas essa canção, pensa que vai ser mais um disco básico do estilo. Não é ruim, ao contrario já mostra que o cantor tem voz poderosa e bom ritmo para contar uma historieta. Mas musicalmente é competente apenas;
- Devil's ravine: Essa já começa com um riff bem pesadinho até, alias a guitarra solo brilha nessa faixa. A letra conta a estória sobre uma estrada conhecida como "ravina do Diabo", tem tanto detalhe que você se sente dirigindo por ela, ainda tem efeitos especiais para ajudar no clima;
- You're gonna love yourself: Típica balada de fim de noite naquelas bares de beira de estrada com direito a lapsteel chorando de fundo e dueto de casal! O narrador jura que nunca vai abandonar a sua amada depois daquela noite, que compreende que ela já foi usada e suas suspeitas, mas ele é diferente. É tão brega que é difícil não curtir;
- Sixteen Tons: Outra música onde a guitarra solo se destaca com bons riffs e solo, além de backing vocais "indígenas" e vocal falando sobre a divida de um minerador com a empresa a qual trabalha;
- Wind blows it's own way: Outra balada em dueto, aqui tratando como ás mulheres não entendem os sentimentos dos cowboys e seu espirito livre como o "vento";
- Me or your guitar: Para é mim é mais engraçada do disco, aqui tratasse de um fã de country que compra uma guitarra, por causa de sua paixão por ela, ele tem que escolher entre a guitarra e sua mulher! É o básico de country, onde o violão e a guitarra conversam sobre uma batida bem alegre;
- Tennesse Roads: De longe a canção mais rockeira do disco, principalmente a guitarra solo com licks bem Rock n' Roll dos anos 50 com pitadas de blues aqui e acolá. Liricamente é a mais fraca do conjunto;
- If you wanna know: É uma canção de fim de relacionamento, não chega a ser uma balada e sim mais folk. A letra com certeza tem ás melhores perolas de Jeff Turner, alguns exemplos: "se você quiser saber... o quanto sinto sua falta? ponha sua cabeça na água, tire-a e veja o lugar onde deveria estar", "se você quiser saber... para onde eu vou? aponte para o mapa, eu estarei o mais longe dali" e "se você quiser saber... por que eu estou a deixando? aponte para a estrelas, conte quantas poder, esses são os motivos que você me deu". Jeff Turner é um poeta; 
- Auctioneer: É o ponto fraco do disco, longe de ser ruim, mas nada demais; Tem uma boa brincadeira com a velocidade e bons arranjos de banjo;
- Highway Queen: Essa puxa um baixo bem na linha de "Highway Star" (não tão trabalhado, mas tem a intensidade) do Deep Purple, a guitarra e violão dançam nessa moldura com boas quebradas da bateria e um bom refrão. A letra trata de uma adolescente que se torna uma assassina em série que pedi carona e mata caminhoneiros, um tipo de vingança contra os "vaqueiros" do asfalto (essa ficou bonita) para tentar amenizar a sua dor de ter sido abandonada por um deles;
- Train Medley: É uma mistura de uma canção do johnny Cash ("Folson Prison") mais duas canções tradicionais. Tem clima de urgência, (se não estiver enganado) uma guitarra wha de fundo e boas linhas de solo;
- Special lady: Fechando de modo soturno, vocais serenos e o lapsteel lacrimejando em momentos certeiros. Aqui o narrador declama o seu amor, melhor implora e diz o quanto deseja ajeitar com a sua amada. Mesmo aos quarenta e um anos, ele sente que a sua vida esta apenas começando;

um dos melhores álbuns de Country Rock que ouvi, infelizmente fadado esquecimento já que pouco sabemos de autor e obra. Mas mesmo assim para quem cruzar com essa "resenha", espero que desperte o interesse.

https://youtube.com/playlist?list=PL5IVSzj8l_FQalGmRsT0xNasLvbvFiKS9

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Rocky Horror Show (1973)

 



RHPS para mim, me remete aos filmes de terror da Band (sim, aqueles antes do cine-prive) que todo sábado eu via. Num dia qualquer, não sei por que começa a rodar esse filme estranho e musical! Mesmo não sendo exatamente fã de musicais, não pode fugir a moldura de filme de terror/ficção cientifica dos anos 50 que abraçava a trama simples. Não tinha muito conhecimento das curiosidades que o filme joga pro espectador, mas não importava a performance de Tim Curry em "Sweet Transvetite" (que é uma das melhores entradas em qualquer pelicula que já vi) me prendeu no sofá.
 De qualquer forma, acho que é chover no molhado comentar sobre a trilha praticamente perfeita do filme e o quanto ele é um marco nos cinemas e na revolução de gêneros. Se bem que no meu ponto de vista essa é uma analise meio rala do conceito geral, já que penso que se trata muito mais em empoderar os "estranhos" em aceitarem duas estranhezas e terem orgulho de serem diferente (Don't Deam It- Be It). Mas filosofia a parte, é bem mais interessante ver suas raizes no musical original, notar o quanto os arranjos das músicas eram cru e tinha um quê de cabaré.

- Science fiction/ Double Feature: Diferentemente do filme, ela é cantada pela Patricia Quinn (Magenta) e não pelo Richard O'brien (Riff Raff). Tem uma guitarra acústica muito Pimball Wizard do The Who, adornado por belissimas passagem de piano e os vocais anasalados que em alguns momentos beiram ao de uma cantiga infantil;
- Damn It, Janet: Tem um tom bem mais agitado que a versão do filme, os vocais de Julie Convigton (Janet) e Christopher Malcon (Brad) também são bem mais cantados que declamado. Para mim de todos os casts que ouvi é uma das melhores performances;
- Over At The Frankstein Place: O clima soturno do piano da intro é muito bom, ás guitarras são ótimas, mas agora a voz de Christopher Malcon é horrorosa, sorte que o resto do cast salva a música.;
- Sweet Transvestite: De longe é uma das versões mais pesadas da música, principalmente a bateria, onde o batera senta o pau nela no refrão. Os vocais de Tim Curry (Frank-N-Furter) são ótimos, mesmo que não tenha aquele cinismo das ver cinematográfica e sim um tom mais Rock n' Roll;
- Time Warp: Originalmente a canção vinha depois da apresentação de Frank-N-Furter, no filme mudaram e meio que virou canônico. Bem, é uma versão bem mais simples, como uma pegada menos frenética. Os vocais da Patricia Quinn é de arrepiar, Little Nell (Colombia) esta otima e Richard O'Brien esta mais contido, no refrão notasse uma pegada mais rustica que é muito bom;
- Sword of Damocles: É uma versão bem mais "musical" convencional, lembrando bastante aquelas canções cantadas em grupo dos anos 60, tem um quê de surf rock com bons detalhes de orgão;
- Hot Patootie: De longe é mais fraca do album, não sei por que os vocais de Meat Loaf são iconicos e poderosos, que essa versão perde muito. Outra coisa que Paddy O'hagam (Eddie) grita demais nos refrões e beira ao irritante; 
- Touch-aTouch-Touch-aTouch-Touch-aTouch Me: Sempre achei o ponto fraco do musical, isso indiferente de versões que já ouvi. Essa aqui tem um tom meio latino (por alguma razão) enlaçado pelo orgão, bons vocais de Julie Convigton;
- Once In A While: Não entrou no filme, meio que foi raridade por muito tempo. Nessa versão o Christopher Malcon se destaca num melhores vocais dele. O arranjo simples de violão e piano é maravilhoso;
 - Rose Tint My World: É estranho a intro no piano, já que irmã cinematográfica com a sua guitarra suja é mais iconica. Com esse detalhe muito da canção se prende nos vocais. Little Nell arrasa, Rayner Burton (Rocky) é estranhamente blasé, Christopher Malcon é bom. Mas Julie Convigton canta num estilo gritado muito duvidoso e beirando ao irritante. Tim Curry não precisa se dizer, detona;
- I'm Going Home: Do ponto de vista vocal, caramba Tim Curry mostra uma das suas melhores performances (isso em todas versões gravadas: Aqui, o cast do Roxy em 74 e no filme em 75). Já na parte musical carece os arranjos mais elaborado que viria em versões póstumas, mas nada que estrague a experiência;  
- Superheroes: Com um clima mais soturno,  bons arranjos de guitarra e piano e uma bateria beirando ao tribal. Os vocais de Christopher Malcon me lembram um vocal de uma banda punk, só não lembro o nome;
- Science Fiction/ Double Feature (reprise): É praticamente o mesmo arranjo, só que com letras diferentes;

Assim terminamos, o legal é notar o quanto o musical tinha um tom mais rustico, tipo ouvindo você pode sentir que a apresentação num teatro, ainda mais com a simplicidade dos arranjos. Esse álbum é ao vivo, então muito das performance não quase perfeitas (diferente da versão do filme e o cast de 1990 que gravaram em estúdio os seus respectivos discos) tem seu sentido. Bem, para quem curte o filme, vale a pena conferir como tudo começou.

Detalhe: Ainda não havia ás musicas "Eddie Teddy", "Planet Schmanet Janet" e "Planet Hot Dog" que ainda não haviam sido compostas. E "Superheroes" também não fazia parte do filme até edições em dvd.

sexta-feira, 25 de março de 2022

Kiss - Music From The Elder

 


Engraçado não me lembro se já fiz uma resenha do esse disco, mas como estou (estava) sem recursos para consultar, paciência...

O kiss sempre foi uma banda que em geral, sempre jogou no garantido, a mesmo formula de rock n' roll básico, quase sempre. Music From The Elder é um algum concebido num período onde suas cabeças criativas (Gene & Paul) não sabiam se agradavam os fãs, críticos, ou a si mesmos. Elder tem a sina de ser o disco que até mesmo seus criadores tem ojeriza, mesmo que com o status "cult" que o álbum ganhou durante ás décadas e ainda hoje em dia o consideram um disco inferior. 

O conceito veio de uma frase que de Gene pensou: "quando a terra era jovem, eles já era muito velhos" (parafraseando grosseiramente). Muito baseado em personagens entidades como o Vigia da Marvel para os "antigos" e calcado nas jornada do herói (aquela mesmice do escolhido). Bem, vamos ser sinceros o enredo é bem clichê e fraco, mas não é tão ruim para um disco conceitual. O problemas que a banda não soube trabalhar bem o estilo da banda e casar os personagens com suas personas dos seus integrantes. Além disso depois da gravadora ouvir ás músicas, eles alteraram a ordem das canções para tornar o material mais atrativo. No tracklist original (e depois nas edições remasterizadas) a banda tenta contar uma estória pelas faixas, mas a sequência é um padrão muito lento e insosso. Nessa situação creio que os "executivos" souberam ouvir melhor o material (musicalmente) e fazer um álbum coeso e com muito mais dinâmica, mesmo sacrificando o "enredo" em prol das canções. Outro detalhe que complica a "trama" é que em geral em Rock-óperas, cada integrante incorpora um personagem, nesse é difícil saber quem é quem: Paul é "Menino" que deve aceitar seu destino? Gene, o ancião que traz a jornada ao escolhido? Ace é o vilão que tenta corromper o herói? Então porque em certas canções eles trocam os papeis? Infelizmente eles não tinham um Pete Towshend para trazer sentido a historia...

De qualquer forma, musicalmente temos um Kiss mostrando que pode fazer um som que foge das amarras da suas própria sombra. Ainda é Kiss, mas temos influências de Bowie, metal, coros, musica medieval, "progressivo" adornados pela simplicidade da banda. 
- The Oath: É a porrada perfeita para começar o disco, temos guitarras com ás "cavalgadas" metaleiras, os vocais de Paul estão grandiosos e com direito a falsete nos refrãos. Falando em refrão, o bumbo duplo épico de Eric Car mostra como era um baterista antenado com a cena Trash que estava emergindo na época;
- Fanfare: Essa seria a introdução do album, bem o problema é que tão sem sal e medieval demais. Pior que que talvez poderia ser uma boa intro se tivesse participação da banda, tipo primeiro movimento apenas instrumentos medievais e depois no segundo tudo culminando com a banda estourando numa instrumental que poderia ter potencial e se você ouvir, notasse que esta lá isso, uma pena;
- Just a Boy: Balada típica do kiss com elementos medievais nas sessões acústicas, os vocais de Paul estão muito bons, principalmente se destacando no refrão;
- Dark Light: Para mim é um dos melhores Riffs de Ace, musicalmente é puro rock com boas ideias de percussão;
- Only You: Essa começa com um riff simples e poderoso que vai crescendo com os vocais, sim não é o Ace e sim Gene na guitarra. No refrão temos vocais sintetizados que dão um tom estranho cibernético a canção, não posso de ressaltar ás linhas de baixo que costuram a música de forma incrível.
- Under The Rose: Bateria marcial, vocais declamados e refrãos em coro, mais épico que isso impossível;
- A World Without Heroes: É pura breguice, o clima de showzinho vagabundo e baladinha obscena dos anos 70 com direito a cordas. Mas é tão bem construida e Gene se rasga tanto nos vocais que não tem como não gostar dela. E sim o solo de guitarra é o Paul que toca e não Ace;
- Mr. Blackwell: O baixo soturno que comanda cada nuance da música, os vocais "vilanescos" de Gene são perfeitos, principalmente no refrão. A guitarra é esparsa e abusa de espaço, mas marca presença;
- Escape From The Island: Instrumental que apenas foi incluída na edição em cd (e nas remasters posteriormente). É bem rock n' roll e frenética e com um tom de fuga, ainda mais com sirene que toca incessantemente;
- Odissey: O Cruzamento entre baladas Kiss-nianas (eu sei, acabei de inventar essa palavra) e Bowie/Ziggy. Tem todo aquele clima alienígena banhado em nostalgia (ou seria sintetizadores?). Estranhamente Paul canta em barítono, algo que raramente (talvez nunca) fez(ia). Além disso, bons arranjos de corda e piano;
- I: É puro Kiss, guitarras altas, vocais cruzados e refrão para os fãs cantarem junto. Quase perfeita, o que estraga é um verso moralista babaca no segundo verso, além de quase arruinar a música não tem nada a ver com o estória do disco;

Longe de ser perfeito, mas também muito longe de ser considerado o pior disco da banda (alias, com meu gosto duvidoso é o meu favorito, sendo seguido por Hotter Than Hell e Destroyer no meu top 3 da banda). The Elder vale a audição de fãs e não fãs do Kiss. 

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

The Moody Blues - A Question of Balance


Essa arte da capa do disco realmente me chamou a atenção, tem tantos elementos e profundidade que não tem como passar despercebido. Umas das coisas que mais sinto falta na música atual, talvez seja o fato que cada vez mais ás capas (e pasmem, o álbum em si) perderam importância no conceito do trabalho. De qualquer forma... Depois de ouvir a discografia (da fase mais relevante da banda), percebesse como nesse o Moody tentava fugir do formato que havia se prendido nos últimos álbuns, tentando criar um som mais orgânico, sem tantas suítes e que cada música pudesse ser apreciada por si mesma, sem perder a sensação de se fazer parte de uma colcha de retalhos sonora.

"Question" tem uma intro acústica (na linha de PIMBALL WIZARD do Who) com ataques de mellotron, coros e o baixo tem uma linha muito boa (que me lembra loucamente a o tema do Spectreman); "How Is It (We Are Here)" é guida pelo baixo e vocais intimistas, o mellotron faz a moldura do arranjo; Já "And the Tide Rushes In" nos apresenta um som mais sutil, quase celestial. A percussão e guitarras estão distantes; "Don't You Feel Small" tem um clima mais tribal, com vocais soturnos, desbancando num refrão que lembra The Mamas & the Papas; Em "Tortoise and the Hare" o baixo raspa no "metal"(muito levemente, mas tem um pouco da pegada), os vocais declamam ás frases como se estivessem lendo um conto de fadas. O mellotron e ás guitarras aparecem em momentos certeiros; "It's Up to You" é boa e com algumas ideias interessantes. mas me soa tão blasé, uma boa canção, mas acorrentada ao estilo rock anos 60/70; Voltamos aos vocais em coro com instrumentais minimalistas em "Minstrel's Song", tão simples que beira a uma cantiga de ninar; Com os acordes banhados em nostalgia, "Dawning Is the Day" tem uma melodia que gruda e um dos melhores refrãos do disco; "Melancholy Man" é a tristeza em formato de música, o vocal contido na moldura de azedume da progressão de acordes, beiram a um tom fúnebre; Em ares de despedida, "The Balance" temos a costumeira poesia declamada que culmina num belíssimo refrão.

Da discografia da banda, esse é o menos lembrado, já que a banda se consagrou em ser um proto-Prog e seus discos anteriores cabem mais no estilo. Mas do ponto de vista de um "álbum", para mim esse é o disco mais forte deles. Onde os compositores se preocuparam em criar boas canções e não apenas mais um disco do Moody Blues com suas velhas formulas.

domingo, 30 de maio de 2021

Elvis Costello - Mighty like a Rose



Depois de ter sua marca registrada mais que marcada na década anterior, Elvis Costello entra nos anos 90 negando o estilo limpo ala buddy Holly adornado por terninhos. Deixa crescer seus cabelos e barba, óculos com molduras redondas, levemente mais pesado e com vestimentas mas soturnas, lembra um pouco o Stanley Kubrick.

Musicalmente Mighty Like a Rose tem um pé em n estilos, o que não surpreende quem é fã do cantor, mas é um disco difícil nas suas primeiras audições. Muito por flerta com tantos seguimentos musicais que beira a um álbum bipolar. 
 

Começamos com a chupação de Beach Boys na cara dura em "The Other Side of Summer", com uma pegada bem alegre embalando uma letra cínica que ataca várias artistas, John Lennon é mais obvia delas: "Was it a millionaire who said "imagine no possessions"?; Já em "Hurry Down Doomsday (The Bugs Are Taking Over)" ele brinca com sons caóticos emulando um ataque mutante, a bateria é bem primal e temos uma guitarra suja bem esparsa segurando o arranjo; "How to Be Dumb" é mais próxima do seu estilo antigo, mas tem alguns sons ala country como órgão, etc... Um dos melhores vocais do disco; A intro de "All Grown Up" tem um quê de nostalgia e breguice, lembra um pouco daqueles temas de seriados dos anos 70 misturado com algumas canções de cantores crooners da época, o arranjo de cardas, piano e sopro é sublime ainda mais quando tu culmina na volta da introdução; "Invasion Hit Parade" inicia com um toque espanhol, como uma tourada e batida bem pausada, não impressiona na primeira audição, mas o refrão cresce com o ouvinte. Vale também mencionar o solo dissonante de trompete; Emulando os Beatles em Sg. Peppers, temos "Harpies Bizarre" que puxa até o clavicórdio com muitas sessões de sopro numa bandeja medieval, mas tem um clima mais sinistro que o Fab Four não saberia fazer; Quebrando a complexidade das faixas anteriores, "After the Fall" tem poucos instrumentos e se segura nos vocais sutis de Costello. Boa canção, mas nada demais; "Georgie and Her Rival" poderia facilmente fazer parte do disco Trust (com os Attractions), de longe umas das minhas preferidas do disco por causa dos vocais e orgão certeiro nos versos; Se tem uma música que me puxou pro material "SOLO" de Costello foi "So Like Candy", o tom soturno da música é o epicentro de sentimentos deprê que transbordam no ouvido do ouvinte, caso tenha visto o clipe primeiro ainda temos uma imagem de um Elvis Costello "desarruamado" preso numa sala suja cantando e tocando o seu violão para o vazio (me identifiquei), o melotron (tipo de órgão) e guitarra com eco emolduram toda a canção; Voltamos ao rock básico com "Playboy to A Man", a canção mais pesada dos disco, vocais bem agressivos com backings de resposta; A intro de "Sweet Pear" é tão "Don't Let Me Down" (Beatles) que acredito ter sido feita de sacanagem quase, mas ás comparações acabam aí, já que do nada se transforma numa música totalmente motown. Os vocais estão perfeitos, com destaque para o som de cordas; "Broken" é os vocais sob uma camada de som, tem um tom bem triste, mas é elo fraco da playlist; Finalizamos com "Couldn't Call It Unexpected No. 4", onde Costello martela o piano sob uma marcha circense, terminado num fade out lamuriento.

Bem, esse é um disco que requer mais de audição para ser compreendido, eu sempre admirei o quanto Costello não tem medo de abandonar sua marca pra desbravar novos territórios e esse registro marca um momento na estória do cantor, onde ele mesmo não queria se valer mais de seu passado para ser relevante, comercialmente falhou, mas musicalmente...

OBS: Sim, a capa é horrorosa! 

domingo, 29 de setembro de 2019

Prince - Parade


Por acaso estava de bobeira numa das escassas lojas de discos que ainda existem em Porto Alegre, meio que dei de conta com o clássico Purple Rain, primeira coisa que me deixou meio uau: apenas 9 faixas!?!?
Peraí, vou ver o tempo delas... Em média de 5 a 6 min cada. "Purple Rain" tinha quase 10 minutos! Interessante, mas é Prince... E só curto mesmo "Kiss" e olhe lá. Bem, deixei de lado e fui no Pet Sounds do Beach Boys. Uma opção menos arriscada para investir...
Mas na volta pra casa, a capa do disco ainda me assombrava e a "aventura" de ouvir algo diferente, me fez arranjar uma desculpa pra voltar pro centro de POA e pegar o disco. Eu não diria que era fã do Prince, mas nunca neguei o talento dele como compositor. Só não diria que ele é um "gênio", até por que isso implica que tudo que ele toca é "genial". E nem sempre ele acertava (principalmente quando inventava de flertar com Hip-hop). Mas no quesito de música pop oitentista e funk (o bom), ele realmente era fera. E o que mais me surpreendeu foi o quanto ele subvertia a formula: Estruturas estranhas, solo de guitarras, canções longas (num período onde todo mundo lançava canções curtinhas) e muitas vezes quase sem refrão!

A principio é uma música que ti desafia um pouco (ou pelo menos pra mim). Não sai curtindo na primeira audição, a principio achei estranho, ainda mais os vocais escandalosos. mas com o tempo vi que era esse o estilo. E depois que tu entende os maneirismo dele até começa a curti, chega ser brega em alguns momentos, mas é muito bom (guilty pleasure mesmo). O Purple Rain é um ótimo, baita disco. Mas pra mim não é o melhor dele, depois eu diria que a trilha do Batman (por incrível que pareça) é muito boa, mesmo que não seja perfeita.

Mas o Melhor dele é o Parade, o álbum tem um som mais diversificado e mais rico. Indo de canções pop ala Beatles de "Christopher Tracy's Parade" com vocais tipo "Magical Mystery Tour" com um clima Nova York (pelo menos para mim parece); Logo em seguida vem "New Position" com um som eletrônico enlatado, vocais sensuais, letras sugestiva e uma linha de baixo muito boa; Em "I Wonder U", cantada pela Wendy (a guitarrista mais gata anos 80) e a tecladista (realmente não sei o nome dela). Tem uma sonoridade mais de colagem de sons sob uma bateria eletrônica, não é uau, mas tem seu charme; "Under The Cherry Moon" tem um quê gótico ala ás trilhas sonoras de terror da universal dos anos 30, os vocais caídos e o clima de valsa é perfeito; "Girls & Boys" é misto das bandinhas dos anos 30 (ainda mais com a sessão de metais) e sonoridade mais eletro-pop, os backing vocais do refrão são muito bons; Agora "Life can be so Nice" tem um efeito (ou teclado, não tenho bem certeza) que beira o irritante e ao mesmo tempo gruda no cérebro. Musicalmente é boa, mas esse "ruido" me incomoda e ela termina numa cacofonia que não é exatamente agradável; "Venus de Milo" é instrumental competente, mas não exatamente inspirado; "Mountains" tem uma bateria e instrumental que me um pouco Erasure, vocais em falsete e um refrão pegajoso. Outro destaque para sessão de sopro; Tipicamente encarnada naquelas canções francesas temos "Do U Lie?". Boa, mas nada que se destaque muito; O que falar "Kiss"? Uma das melhores canções pop desse século, só isso; Em "AnotherloverHolenyohead" temos um dos melhores refrões que ele já escreveu, sem contar os teclados limpos que faz um contrate com tanta "maquiagem" que foi usado nas faixas anteriores; Finalizamos "Sometimes Snows in April" num clima mais soturno e singelo. Apenas vocais, violão, piano e algumas inserções sopro aqui e acola.

Ironicamente nesse disco (que vale citar é trilha sonora do filme Under the Cherry Moon do próprio cantor)
ele subverte a própria formula. Apenas duas canções passam dos 5 minutos. No geral é um disco coeso e quase esquecido (com exceção da faixa "Kiss" que rivaliza com "Purple Rain" em reconhecimento), além de ser considerado um dos piores dele. Eu fortemente recomendo a audição!

domingo, 14 de julho de 2013

Floodgate - Penalty

Esse disco embalou muito minhas revoltas adolescentes, mas deixa para lá. Floodgate é uma banda desconhecida que lançou só um disco e incrivelmente saiu aqui no Brasil ainda! Filho direto das minhas andanças por sebos de cds. Vou admitir que a capa é horrível, mas quando ouvi a primeira faixa tive que conseguir essa perola e ela me enganou na primeira audição, mas vamos aos poucos.

Abrimos com “Shivering” e sua bateria solta que conduz a riffs pesados e a vocais arrastados ala Alice In Chains, canção cativante que gruda na cabeça; Assim que entra na “Through My Days into My Nights” o clima do disco muda, deixa o grunge de lado e põem som mais metal, deixa os vocais ‘Alices’ para um mais forte; “Before the Line Divides” tem um quê de new metal na introdução que me desagrada um pouco, mas temos bons vocais e uma letra boa até; Outra puro creme de peso, “Those Days” poderia muito bem ser uma faixa de qualquer disco do Pantera, muito bons os riffs, vocais brutais e uma batida que fica martelando no cérebro; Temos uma batida mais corrida em “Till My Soil” que volta um pouco daquela vibe grunge; A balada do disco, “Whole” tem todo aquele lance acústico que vimos em canções do Alice, mas tem algo há mais que faz uma diferença, realmente não sei o que seja mas é foda; Eu não nego que “Second Guesser” me lembra muito Nickelback (sabe a fase boa deles, que se resume praticamente ao primeiro disco) nos primeiros segundos, seria um Nickelback, mas mais injetado de testosterona; Um dos melhores riffs que já ouvi, “Running With Sodden Legs” ainda tem um vocais inspirados que te sugam para cada sessão da música; Bem aí temos duas faixas que são legais, mas parecem meio sem inspiração diante do resto. “Imitation Salvation” tem alguns lances Alices legais, mas não gruda. “Feel You Burn” é bem sei lá, tem um certo humor nos riffs que difere do clima pesado das outras faixas. Ou seja, o disco poderia existir sem essas elas; E finalizamos com a épica, “Black With Sin”. Da intro Sabbathiana aos riffs Panterescos adicionado a vocais poderosos e um final arrastado que Jerry Cantrell aprovaria.

A banda não durou muito, ás vezes eles se reúnem de vez em quando para tocar (há alguns vídeos no youtube), mas ironicamente nunca mais lançou nada, tem algumas faixas pela net, mas creio eu que são sobras, e não são nada demais, mas mesmo assim interessantes.












Bonus

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Jon Brion - Meaninless

Jon Brion é cantor, instrumentista e compositor de trilhas sonoras (ganhou o Oscar por Brilho eterno de uma mente sem lembranças). Também produziu Evan Dando, Elliot Smith, Fiona Apple, Sean Lennon e (até) Kanye West. Mas não vamos nos prender a apenas o currículo do cara, o seu primeiro e (no momento) único disco solo é bem irregular, mas vale uma audição, tanto pelos arranjos quanto pela bela voz.

O néctar se encontra nas seis primeiras faixas, o começo inocente de “Gotta Start Somewhere” com belos ornamentos de violões que se aliam a uma bateria explosiva no refrão e fechando numa catarata sonora no final; A bateria eletrônica de “I Believe She's Lying” ainda me incomoda, mas os vocais, tantos os de apoio são muito bons, tem cacofonia eletrônica que gruda na mente; “Meaningless” é total rock ala 60, emula bastante de The Who e Kinks; Essa é muito John Lennon, “Ruin My Day” tem todo o cinismo e sarcasmo do mesmo, ainda mais com uma instrumental puxada para piano e alguns embelezamentos de cordas; O clima de bar do piano e os vocais que lembra um cruzamento de Harry Nilsson e Beatles em “Walking Through Walls”. Muito bom também a inclusão de outros instrumentos, mas o que predomina é bela melodia das vozes; De longe o destaque do álbum, “Trouble” tem toda melancolia meio Elliot Smith com senso de produção de Jon, liricamente rica e dúbia sem contar os duos de voz a cada versos.

Bem aqui que o álbum dá uma caída, não em questão de qualidade, mas sim de carisma. Mas como posso explicar, para mim a audição de um disco é como uma montanha-russa, o lance da preparação da emoção rumo ao topo, o medo da descida, o alivio de chegar ao final e assim por diante. O que acontece a partir é como se andasse em linha reta, canções muito introspectivas que são legais em seus detalhes, mas não tem o mesmo gancho que ás outras. Dentre elas: “Hook, Line and Sinker” (bons licks de violão e um verso pegajoso), “Dead to the World” (instrumental interessante e vocal semelhante aos trabalhos de Sean Lennon), “Her Ghost” (extremamente estilo Beatles), “Same Mistakes” (outra na linha de Trouble só que apenas voz e violão) e finalizamos com “Voices” (vocais ala Beach Boys com sons costurados em volta dos acordes de piano). Mas mesmo assim, é um bom disco, no formato que para mim parece se impor a um Lp, o tom pop intimista pegajoso no lado a e o lado b bem mais reflexivo, mas para quem curte bons arranjos e composições é uma boa pedida.
















quarta-feira, 26 de junho de 2013

Seether - One Cold Night

Eu não nego que só conheci o Seether por causa da balada “Broken” com Amy Lee nos vocais, não desprezo essa canção que de certa forma foi uma jogada de marketing da banda que aproveitou o sucesso Evanescence, mas mesmo assim era boa (ainda mais no ano onde tínhamos alguns lixos plastificados no top hits como sempre). Talvez por isso eu tivesse algum preconceito com o grupo, me lembro de ter baixado um ao vivo deles na web e achei o som muito saturado com gritarias desnecessárias, e larguei de mão deles por uns dois anos. Navegando pelo youtube me deparei com o acústico deles, sempre achei interessante ouvir bandas que abusam de distorção nesse formato, normalmente prevalece mais a melodia e ás composições, verdadeiro teste para ver se a banda é boa. Temos exemplos de boas grupos que ficaram ótimo nesse formato, na minha lista eu destaco Alice In Chains, Nirvana, Metallica (Não que haja um official, mas tem vários bootlegs legais!), Foo Fighters, Pearl Jam, Stone Temple Pilots e Seether, no momento por que nunca se sabe o que pode vir mais (o do Korn também ficou interessante, mas não ouvi ele inteiramente).

O Seether me surpreendeu com belas melodias e alguns gritos ocasionais, mas a maioria em sua forma contida preservando um formato mais agradável ao ouvinte e envolvente com um teor lírico altamente pessoal. “Gasoline” ficou numa forma mais rústica com ênfase nos vocais inspirados de Shaun. Gostei muito por eles terem optado por um refrão cantado num tom mais forte em vez de se esgoelar como é na versão estúdio, e os violões dão o tom mais pesado sem ter que apelar para distorção, na verdade até embeleza mais em vez de mascarar cada nuances dos riffs; Os vocais chorosos e dedilhado hipnotizando de “Driven Under”, nossa que letra foda e o refrão que não ficou sujo e destacou os vocais, outro nível de qualidade em relação a original; O riffs de “Diseased” é legal, o verso tem um tom bem comum, mas o que a faixa tem de bom é o refrão, cumpre seu papel; É muito bala notar que o público não reconhece “Truth” antes do versos iniciais, mas voltando é outra que tem vocais muito bons, onde a interpretação de Shaun se supera; Eu sempre que ouvia pensava: ‘Parece Nutshell do A.I.C. pacas’. Pesquisando fui saber que “Immortality” é um cover do Pearl Jam (Não sou exatamente um conhecedor da discografia deles ainda...), musicalmente não é nada demais, fica bem no conceito show e só; Bem, “Tied My Hands” é outra que segue a linha de Diseased para mim, boas e grudam com ótimos refrões, mas não passam disso; Eu adoro o odor pop de “Sympathetic” que vem dos versos ao refrão culminando com emocionante parte intermediaria, sério, é pop, mas tem uma qualidade do caralho, sem soar falso, algo raro hoje em dia. De novo destaco o lance acústico melhorou muita a faixa, olha que estou tentando evitar, mas todo esse disco me mostra isso; Em “Fine Again” de novo temos ótimos vocais e interpretação sobrenatural no refrão; “Broken” é o hit, mesmo a versão com Amy Lee se nota a qualidade liricamente e musicalmente da mesma, mas prefiro anos luz essa versão; “The Gift” bom refrão, mas não me emociona tanto quanto ás outras; Essa talvez seja a única que curta tanto a versão de estúdio quanto a acústica, “Remedy” por si só tem bom verso e refrão, além de um riff foda pacas; E finalizamos com “Plastic Man” com só shaun no palco, bom lance de dedilhado e refrão bem soturno;

Como já disse, na minha opinião o Seether deveria ser uma banda acústica, nada contra o pós-grunge ao qual eles são conhecidos, mas o som fica tão mais maduro e definido, sinceramente a enchente de distorção que permeia ás faixas não me agrada muito (talvez o Disclaimer II e Karma and Effect sejam os mais audíveis). Não estou dizendo que são ruins, mas é muito melhor nesse molde desplugado.



segunda-feira, 3 de junho de 2013

Devo - Freedom Of Choice


Devo é umas das bandas que eu sempre reouço, vendo algum vídeo, ou pinçando alguma música por aí. Realmente nunca parei para ouvir um disco inteiro (mesmo que já tivesse a discografia), é bem fácil escolher o álbum que vale uma avaliação mais profunda (depois de ouvir eles), os outros são legais, tem seus hits, mas não são exatamente um long play completo que segura o ouvinte do inicio ao fim.

O riff seco e um teclado agudo que se aliam ao som pulsante de baixo em “Girl U Want”, além de ter uma letra muito boa e cheia de símbolos (sério extremamente poético de um ponto de vista nerd); A linha de notas nos teclados robóticos de “It's Not Right” é exatamente que o Devo significa para mim, nada além de genial. Sem contar a letra que fala de traição numa forma muito cômica/trágica e um refrão grudento (que depois que uma pessoa me disse, realmente lembra um pouco The Cure); Essa gruda no melão, realmente não tem como fugir dela, das guitarras ao som sintetizado do chicote, “Whip It” é o hit eterno deles; “Snowball” é meio que um proto-electro com uma vibe meio sci-fi envolvendo outra letra de amor com significados alheios; O tom meio de 'vilão de filme preto-e-branco' dos vocais, ás guitarras punks e os teclado ala jornada das estrelas dão o clima de “Ton O' Luv”; “Gates of Steel” é épica nos seus teclado até batida rala de guitarra e baixo que sugam os vocais proféticos para esse núcleo (isso soou estranho); Adoro a simplicidade de “Freedom of Choice”e a a letras sarcástica, de longe umas das minhas preferidas do disco; Outra canção que me atrai pelo minimalismo das partes que se unem, “Cold War” dos teclados com sons estranhos, aos ruídos estridentes de guitarra, baixo simplesmente mangolão, batida reta e um vocal caricato; Emulando uma batida punk aos moldes Devo, “Don't You Know” tem um refrão oitentista que não tem como não se pegar cantando ou batendo o pé ao ritmo; Eu assumo que “That's Pep” só me cativa pelo riff bizarro de baixo a cada verso, a música em si é bem fraquinha e sem muita inspiração, bem cada disco tem seu calcanhar de Aquiles; “Mr. B's Ballroom” não é exatamente boa nem ruim, só que sei lá, é tipo como ter Alzheimer, você ouve e curte ela no contexto do álbum, mas esquece logo em seguida; A sequencia de “Planet Earth” é muito bala, cada lance se junta de forma sublime. A cacofonia dos teclados, a guitarra quase muda ao baixo que sustenta toda estrutura. O vocal esta meio caricato como sempre como é nas faixas mais dramáticas, assim se fecha o disco de forma robótica e sinistramente mórbida.